Recrutas da PM na posição de flexão: tortura?
Quem está de fora, e nunca vivenciou a vida militar, só consegue enxergar o lado humilhante e dramático das imagens, e claro, não conseguem entender o porque daquilo tudo. Qual a necessidade disso?! E não são só os civis não, até mesmo alguns militares questionam o tratamento dispensado aos novatos nos treinamentos. A Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (AMAE) e o blog Alvo da Chibata por exemplo, fizeram coro com a imprensa e manifestaram repúdio às imagens dos recrutas do 8º BPM avançando ao rancho na posição de flexão.
Farei um parênteses aqui. Para causar mais impacto e dar aquele toque tão sensacionalista que estamos acostumados a ver por parte da imprensa, o caso foi noticiado como “policiais foram obrigados a andar de quatro”. Por mais que este detalhe não tenha tanta importância, devo dizer que aquilo ali não é andar de quatro. Aquela posição se chama posição de flexão, um exercício onde se faz flexão de braços. Não é preciso ser nenhum técnico em posicionamento corporal humano formado da NASA para saber a diferença entre um e outro. Outro esclarecimento: os policiais militares que estão de camisa branca “vítimas” do tratamento “humilhante” são recrutas (calouros), que aspiram ser soldados da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
A transição da vida civil para militar é intensa, abrupta e súbita, seja na no quartel do 8º BPM, seja na APM D. João VI, seja na AMAN, ou Academia Militar de West Point (EUA). São em situações como esta, num treinamento de adaptação à vida militar, que se aprende autocontrole e se adquire resistência a condições adversas. É, de certa forma, humilhante para quem aspira a um status superior e lhe ensina que, antes de subir, é preciso descer à posição mais baixa. Contribui também para desacreditar qualquer auto-estima que o novato tenha em função de sua vida pregressa e que queira trazer para a vida militar. Reduzidos simbolicamente a um estado pré-humano, os novatos só reencontrarão sua dignidade se estiverem de acordo com as exigências da nova situação de vida a que aspiram.
Outra coisa que não fica clara para quem vê as imagens isoladamente, é que quem aplica o tratamento de choque não tem nada contra o caráter pessoal de nenhum calouro, que o recruta (ou “bicho”, nas Academias Militares) está naquela situação porque é alguém que, no momento, está num status inferior passageiro, aspirando a um status superior. Tratamento este que geralmente é aceito pelos próprios calouros, simplesmente porque quem aplica o tratamento já passou pela mesma situação e amanhã será ele quem provavelmente fará o mesmo. Ou, no mínimo, se divertirá ao contar os causos do seu curso de formação e se orgulhar de “como foi difícil chegar até aqui”.
Claro que podem haver exageros, mas não estou falando das exceções. Justamente pelo risco do exagero é que nossos regulamentos proíbem o trote, e os responsáveis podem sofrer punições disciplinares por isso. Porém, apesar de proibido, todos que já passaram por alguma formação militar sabe que eles existem e são uma antiga tradição nas escolas militares. A existência de uma regra não garante que ela será imposta. O mais comum é que a regra seja imposta quando algo provoque a imposição (neste caso a repercussão negativa das imagens dos recrutas avançando ao rancho na posição de flexão).
O assunto é polêmico e tenho certeza que teremos comentários bastantes divergentes aqui, como foi lá no blog do Pracinha da PM, pois o sentimento de “humilhação” e de ter a “dignidade humana desrespeitada” é algo totalmente subjetivo. Basta perguntar aos recrutas, o que eles acham disso tudo. Será que todos concordariam que foram torturados e humilhados?
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Gabriela Costa
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http://giropolicial.wordpress.com/ José Ricardo
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http://diariodeumpm.net Alexandre de Sousa
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http://giropolicial.wordpress.com José Ricardo
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